Grandes Feitos de Protagonistas da Ficção (contém uma dose de spoiler)

Há na literatura um conjunto de feitos de protagonistas no universo ficcional, desde os poemas épicos até as revistas em quadrinhos. Feitos sobre-humanos movem com o imaginário do leitor porque colocam o potencial de vontade de realização em patamares não racionalmente verificáveis. Isso provoca uma tentativa de fusão entre o real e o imaginário sobre como esses grandes feitos podem ser traduzidos nas atitudes do dia a dia. Vamos analisar alguns exemplos e direcionar seus significados.
Feitos em Poemas Épicos
Ulisses de A Odisseia consegue retomar o reino de Ítaca derrotando monstros mitológicos, resistindo aos encantos místicos e sobrevivendo aos desafios dos deuses, incluindo ficar dias sem suporte flutuante em mar aberto. Aquiles em A Ilíada enfrenta gigantes e até a personificação do próprio rio. Eneias em Eneida foi ao submundo e retornou, assim como Dante em A Divina Comédia. Muitos anos antes deles, Gilgamesh viajou a lugares incríveis e derrotou adversários absurdos dentro de uma jornada que pode ser considerada uma evolução espiritual.
Feitos em Revistas em Quadrinhos
No mundo dos quadrinhos, começamos com um feito do herói mais famoso da Terra. O Superman demonstrou uma força incalculável ao arrastar uma sequência de planetas para fora de um sistema. O homem-molecular uniu energia para ajudar a recriar vários universos depois das Guerras Secretas. O ente Galactus, mesmo não sendo considerado divino, enfrentou vários deuses do universo Marvel ao mesmo tempo. Amazo é capaz de mandar planetas inteiros para outras dimensões sem o mínimo esforço. Franklin Richards, que atua diretamente com o homem-molecular, também parece não enfrentar limites para editar multiversos.
Feito do Protagonista de O Dilema do Basilisco
Introduzindo a dose de spoiler, o protagonista de O Dilema do Basilisco, já caminhando para o encerramento da sua fala, coloca a mão direita sobre a esquerda e simboliza o mudra cósmico. Com isso, ele projeta uma singularidade e cria um novo universo. A descrição da criação é uma alusão ao processo da teoria do Big Bang, enriquecido com elementos poéticos, como alguém que de fato está apenas meditando. Porém, na perspectiva da mente, é uma recriação do mundo. Se tudo que se vê é necessariamente o que se interpreta, fazer um novo universo com as mãos é refazer um mundo que a mente aprendeu a criar. Ele abre mão definitivamente da sua própria identidade, do seu próprio legado e da memória que os outros poderiam ter do seu ato de sacrifício. O protagonista liberta a singularidade e alcança o nirvana. Ele se torna não apenas parte do todo, mas o todo em si. Não apenas tudo que existe mas também todo o potencial de tudo aquilo que possa vir a existir, tornando-se, portanto, imortal e indestrutível, uma vez que as coisas, mesmo que destruídas, têm o potencial de existir de outra forma.
Feito do Protagonista: Conclusão
O Protagonista de O Dilema do Basilisco pode ter realizado o maior feito de toda a ficção literária. Ele não domina multiversos como Franklin Richards, mas ele faz o suficiente para que nenhum outro ser humano sofra novamente. Ele se ilumina e se torna exemplo. Ele revela que todas as nossas identidades são puramente convencionais e assume em absoluto o Dharmakaya. Reconhece que toda manifestação é ele mesmo, em partes e ao todo, como um fractal. Será sempre aniquilado e reconstituído em matéria com o passar dos éons. E jamais deixará de ser. Mostrou que todos são como ele, basta que reconheçam. E se o maior feito da ficção não estiver tão distante daquilo que um ser humano pode realizar na própria vida?




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